Visões Cruzadas sobre a Contemporaneidade

Rede Internacional Interdisciplinar de Estudos

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A Rede VCC associa-se com grande tristeza ao luto internacional pela morte de Sua Majestade Rainha Isabel II - uma vida plena, de dedicação ao seu país, um exemplo de sentido de dever e de equilíbrio e moderação que distinguem a mais antiga democracia parlamentar do mundo, além da mais antiga aliada de Portugal.


8 de setembro de 2022

Adriano Moreira

Um século de Sabedoria e Humanismo


Hoje damos “Gracias a la Vida” pelos 100 anos do Senhor Professor Adriano Moreira com quem temos tido o privilégio de conviver, de beber da sua sabedoria, do seu conhecimento, das suas inquietações sobre o mundo e dos seus valores.

Agradecemos muito sentidamente a sua generosa amizade com que nos tem privilegiado. Fazemo-lo movida pela dívida de gratidão, pela estima e respeito pela excelência do académico, pelo brilhantismo do professor, pela escola que cria diariamente, pela integridade do servidor público e pela estrutura ética, intelectual e cultural do cidadão.

Adriano Moreira sempre fiel, orgulhoso das suas raízes transmontamos (que também são as nossas), nasceu em Grijó de Vale Benfeito, Macedo de Cavaleiros, Bragança, em 06 de Setembro de 1922.

Em relação ao Professor Adriano Moreira não é mera afirmação de circunstância reconhecer-se a inevitabilidade de se ficar sempre aquém da realidade na referência aos seus méritos; em diferentes momentos, numa linha de afirmação e coerência que levou a que seja admirado por pessoas de sucessivas gerações e de ideologias diversas.

Na sua atividade multifacetada, podemos começar por recordar a atividade política, sendo um excelente exemplo de continuidade e grandeza na defesa de causas da maior importância para o nosso país e para a comunidade internacional, antes e depois do 25 de Abril de 1974.

Neste singelíssimo tributo, procuraremos centrarmo-nos na evocação da sua força, da sua criatividade, da sua inteligência e determinação de quem se destacou, e continua a destacar-se, por tudo quanto fez e faz pela sua Pátria – Portugal. Como o próprio autor sustenta, na obra O Novíssimo Príncipe. Análise da Revolução, “a Pátria não é uma ocasião. A Pátria não é um estorvo. A Pátria não é um peso. A Pátria é um dever entre o berço e o caixão, as duas formas de total amor que tem para nos receber.”

Na óptica do nosso homenageado, e como escreve em Da Utopia à fronteira da pobreza (Lisboa, INCM, 2011, P.14), “ninguém escolhe o país em que nasce: mas decidir ficar é um acto de amor. E de vontade de reinventar novos futuros.”

Não é demais sublinhar a importância da leitura da sua vasta obra que se revela um manancial rico de sabedoria da qual sobressai uma visão humanista, própria de um trasmontano assumido e orgulhoso, cujo pensamento se encontra livre de todo e qualquer ruído, permitindo-lhe manter “o espírito livre para a arte de pensar e aberto à análise de problemas fundamentais que, apesar do já longo percurso como pensador e investigador, permanecem absolutamente actuais.” (Manuel dos Santos Silva, “A Visão Humanista”, in José Filipe Pinto (coord.), Adriano Moreira. Uma intervenção humanista, Coimbra, Almedina, 2007, p.280).

Ora, a sua constante produção científica e a sua intervenção pública são testemunho do seu Humanismo Transcendente que nunca se mostrou tributário de uma única ideologia, de um único mestre e que procura incessantemente ser um espírito livre com uma perspectiva histórica dos acontecimentos baseada no respeito ideológico e partidário.

Deve acentuar-se, porém, que a sua reflexão e pensamento alertam, constantemente, para a ausência de uma estratégia nacional, ancorada na maritimidade, no atlantismo e na lusofonia, valores que devem ser assumidos por Portugal. Bem como chama a atenção para a “inexistência de uma cadeia de comando político”, para a falta de uma “relação de confiança entre governantes e governados”, e os políticos de hoje a quem falta, como escreve, “o poder encantatório da palavra”.

Não deixa de ser oportuno lembrar que o Professor Adriano Moreira foi pioneiro, no nosso País, na fundação de uma verdadeira escola de Ciência Política autónoma das ciências jurídicas que, também, estaria na base da emancipação das Relações Internacionais. Ainda neste ponto, convirá reforçar esta ideia de inovação que pauta a sua vida. Refira-se a título de exemplo, entre muitos que poderiam ser avocados, a obra A Europa em formação, publicada, em 1974, pela Sociedade de Geografia e que constituiu a sua dissertação de doutoramento em Direito apresentada à Universidade Complutense de Madrid. Estudo esse que, ainda hoje, constitui uma referência fundamental para a compreensão do fenómeno da integração europeia e para o papel que Portugal deverá desempenhar na Europa e no Mundo.

Sempre atento ao Mundo e à sua atualidade reflete sobre os conceitos de europeísmo, atlantismo e ocidentalismo em diversas obras e artigos, como por exemplo, “A Terra e o Mar” publicado em 23 de julho de 2022, no Diário de Notícias. Aí sustenta que “na busca da linha dos interesses comuns, o europeísmo avulta entre as correntes que se tornaram dominantes nos últimos e recentes anos. Deu até origem a formulações que, com fundamento ou sem ele, dividiram profundamente as opiniões: foi a alternativa entre a conceção retangular do país, que seria europeísta, e a conceção ultramarina, que seria a herdeira da tradição.” E defende, com particular acuidade e convicção que “o que tudo apenas parece demonstrar que a Europa, além de não ter uma força autónoma, não tem ainda sequer sentido político, que tal sentido, por muito debilitado que se encontre, apenas o tem o Ocidente em que se integra, e que provavelmente é na linha do ocidentalismo que podem encontrar-se os parceiros políticos necessários. Isto significa Atlântico e quem nele domine, com as amarras que existem noutros lugares do Mundo.”

Ao percorrer as décadas em que o Professor Adriano Moreira nos foi enriquecendo e continua enriquecer com a sua participação política, académica ou de qualquer outra natureza, constata-se que não se limitou em cada período a ser um homem do seu tempo. “De facto, a realidade atual mostra que esteve sempre para além do seu tempo; designadamente com pistas para o que, no inequívoco interesse de todos, em particular no século XXI, deve ser o mundo lusófono, numa inserção do nosso país que deve complementar a nossa participação construtiva num processo europeu aberto ao mundo”, como refere Manuel Porto no opúsculo por nós coordenado - “Adriano Moreira, um Humanista Europeu”.

Muitos parabéns ao Professor Adriano Moreira e a nossa gratidão!


Coimbra, 06 de setembro 2022

Isabel Maria Freitas Valente

Presidente e coordenadora de investigação da Rede VCC

Foi com profunda tristeza e consternação que tomámos conhecimento do falecimento do Professor Doutor Dalmo Dallari, insigne jurista, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, onde se formou e foi diretor da mesma, e um intelectual teve uma destacada intervenção na resistência democrática durante o regime militar brasileiro.

A partir de 1972, ajudou a organizar a Comissão Pontifícia de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, ativa na defesa dos Direitos Humanos.

À sua família, em especial ao seu filho Pedro Dallari (investigador da VCC) e amigos, apresentamos as nossas sinceras condolências.

8 de abril de 2022

A Rede Internacional Interdisciplinar de Estudos Visões Cruzadas sobre a Contemporaneidade - VCC da Universidade de Coimbra expressa profundo pesar pelo falecimento de Jorge Sampaio.


Jorge Fernando Branco de Sampaio, antigo Presidente da República de Portugal (1996-2006), recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Coimbra, em Direito, a 24 de janeiro de 2010.

10 de setembro de 2021

Adriano Moreira

Homem da palavra e da ação

Hoje, 6 de Setembro, celebramos o nonagésimo nono aniversário do Senhor Professor Adriano Moreira.

Falar do Professor Adriano Moreira é, obviamente, uma audácia que só nos permitimos confiantes na sua generosa amizade com que nos tem privilegiado. Fazemo-lo, sem a mais ínfima pretensão, apenas movidas pela dívida de gratidão, pela estima e respeito pela excelência do académico, pelo brilhantismo do professor, pela escola que cria diariamente, pela integridade do servidor público e pela estrutura ética, intelectual e cultural do cidadão.

Na verdade, trata-se de um sentir sustentado numa já longa ligação iniciada nos bancos da universidade, depois através de uma estreita colaboração com o CEIS20 e com a Rede VCC. É importante assinalar que muito nos honrou a pronta disponibilidade manifestada pelo Professor Adriano Moreira, para que pudéssemos “dispor dele”. Gerou-se, deste modo, uma afinidade que se tem reforçado continuamente entre o digníssimo Professor e esta sua casa.

Do Senhor Professor Adriano Moreira já tudo se disse e tudo se escreveu. Neste singelíssimo tributo, procuraremos centrarmo-nos na evocação da sua força, da sua criatividade, da sua inteligência e determinação de quem se destacou, e continua a destacar-se, por tudo quanto fez e faz pela sua Pátria – Portugal. Como o próprio autor sustenta, na obra O Novíssimo Príncipe. Análise da Revolução, “a Pátria não é uma ocasião. A Pátria não é um estorvo. A Pátria não é um peso. A Pátria é um dever entre o berço e o caixão, as duas formas de total amor que tem para nos receber.”

Na óptica do nosso homenageado, e como escreve em Da Utopia à fronteira da pobreza (Lisboa, INCM, 2011, P.14), “ninguém escolhe o país em que nasce: mas decidir ficar é um acto de amor. E de vontade de reinventar novos futuros.”

Não é demais sublinhar a importância da leitura da sua vasta obra que se revela um manancial rico de sabedoria da qual sobressai uma visão humanista, própria de um trasmontano assumido e orgulhoso, cujo pensamento se encontra livre de todo e qualquer ruído, permitindo-lhe manter “o espírito livre para a arte de pensar e aberto à análise de problemas fundamentais que, apesar do já longo percurso como pensador e investigador, permanecem absolutamente actuais.” (Manuel dos Santos Silva, “A Visão Humanista”, in José Filipe Pinto (coord.), Adriano Moreira. Uma intervenção humanista, Coimbra, Almedina, 2007, p.280).

Ora, a sua constante produção científica e a sua intervenção pública são testemunho do seu Humanismo Transcendente que nunca se mostrou tributário de uma única ideologia, de um único mestre e que procura incessantemente ser um espírito livre com uma perspectiva histórica dos acontecimentos baseada no respeito ideológico e partidário.

Deve acentuar-se, porém, que a sua reflexão e pensamento alertam, constantemente, para a ausência de uma estratégia nacional, ancorada na maritimidade, no atlantismo e na lusofonia, valores que devem ser assumidos por Portugal. Bem como chamam a atenção para a “inexistência de uma cadeia de comando político”, para a falta de uma “relação de confiança entre governantes e governados”, e os políticos de hoje a quem falta, como escreve, “o poder encantatório da palavra”.

Não deixa de ser oportuno lembrar que o Professor Adriano Moreira foi pioneiro, em Portugal, na fundação de uma verdadeira escola de Ciência Política autónoma das ciências jurídicas que, também, estaria na base da emancipação das Relações Internacionais. Ainda neste ponto, convirá reforçar esta ideia de inovação que pauta a sua vida. Refira-se a título de exemplo, entre muitos que poderiam ser avocados, a obra A Europa em formação, publicada, em 1974, pela Sociedade de Geografia e que constituiu a sua dissertação de doutoramento em Direito apresentada à Universidade Complutense de Madrid. Estudo esse que, ainda hoje, constitui uma referência fundamental para a compreensão do fenómeno da integração europeia e para o papel que Portugal deverá desempenhar na Europa e no Mundo.

Percorrendo-se as décadas em que o Professor Adriano Moreira nos foi enriquecendo e continua a enriquecer, com a sua participação política, académica ou de qualquer outra natureza, constata-se que não se limitou em cada período a ser um homem do seu tempo. De facto, a realidade atual mostra que esteve sempre para além do seu tempo; designadamente com pistas para o que, no inequívoco interesse de todos, em particular no século XXI, deve ser o mundo lusófono, numa inserção do nosso país que deve complementar a nossa participação construtiva num processo europeu aberto ao mundo.

Assim acontece com a preocupação sempre renovada de que seja definido um “novo conceito estratégico nacional”, para o que tem vindo sempre a dar contributos especialmente relevantes.

Neste sentido, e como refere Manuel Porto, “não é de estranhar pois, que a generalidade dos cidadãos, de diferentes idades e de diferentes preferências políticas, ouça e leia sempre com o maior interesse e o maior proveito a palavra avisada e esclarecedora de Adriano Moreira”.

Registe-se ainda que com as magistrais lições do Senhor Professor Adriano Moreira, ao longo destes anos temos aprendido a consciência do limite, a conquista incessante da Liberdade e da Igualdade de todos os homens, de qualquer etnia, cultura, civilização ou grau de instrução, mas diferenciados pelo talento, pelo uso da vontade, pelo próprio mérito.

É por tudo isto que estamos penhoradamente agradecidas ao Professor Adriano Moreira, raro exemplo de empenhamento cívico e patriótico.

Parabéns e muita saúde, Senhor Professor!

Coimbra, 06 de setembro 2021

Isabel Maria Freitas Valente

Presidente e coordenadora de investigação da Rede VCC

Edgar Morin completa 100 anos de vida!

Com a devida vénia publicamos o depoimento (em francês) na sessão comemorativa dos 40 anos da revista "O Tempo e o Modo", decorrida em 2003. Este depoimento encontra-se nos arquivos do Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.

Disponível em:

SoundCloud - https://soundcloud.com/cnc_75anos_2020

Apple Podcasts - https://apple.co/2J9PIh3

Spotify - https://spoti.fi/2UlfD7M

8 de julho de 2021

A Rede Internacional Interdisciplinar de Estudos Visões Cruzadas sobre a Contemporaneidade - VCC da Universidade de Coimbra regista, com pesar, o falecimento do Professor Doutor Muirakytan Kennedy de Macêdo, Professor e Investigador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil, a quem prestamos, deste modo, a humilde homenagem à memória de um grande Historiador.

7 de julho de 2021